domingo, 2 de outubro de 2011

02/10/2011 - Maratona Caixa de Santa Catarina - FLN/SC



Maratona da Caixa de Santa Catarina - FLN/SC

Correr uma maratona esse ano não estava nos meus planos. De repente ela apareceu na minha vida. Dúvidas pairaram sobre a minha cabeça. Seria essa a hora certa ? Eu conseguiria me preparar para esse desafio, cuja distância era o dobro do que eu já havia conseguido percorrer em uma corrida ? Teria tempo hábil para treinar ? Bom, depois de trocar ideias com os amigos Loucos por Corridas (a maioria também com o desafio da primeira maratona) decidi fazer a minha inscrição. Feito isso, a partir daí não tinha mais volta. 

Determinado a concluir a maratona, mas limitado em tempo disponível para treinos, aproveitei os vários finais de semana que tivemos no mês de agosto com corridas canceladas para fazer os meus longões: 21 Km, 21 Km, 27 Km, 30 Km, 31 Km e 33 Km. Isso foi o máximo que consegui e com muito sacrifício. Já nas últimas 3 semanas peguei uma forte gripe que me limitou a fazer somente uns poucos treinos mais curtos.

Ansiedade em alta até o dia da corrida. Fui até pegar o kit no primeiro dia pra garantir. Por sinal um kit muito bom também, padrão Track & Field, que se pagava tranquilamente com o valor da inscrição.
No dia da corrida, os meus pais de SP que esta estavam por aqui foram comigo assistir a maratona e me dar uma força na corrida, mesmo com a expectativa de mais de 4 horas de espera. 

Tempo e percurso excelente para uma primeira maratona. Ao contrário da semana anterior, que fez muito sol de manhã, no dia da prova estava bem fresquinho, sem sol e sem vento.

A largada da maratona foi às 7h45min na passarela Nego Quirido. Pouco mais de 300 atletas partiram para percorrer os 42 Km. Iniciamos em direção à Beira mar Sul. Em menos de 1 Km já estávamos entrando no túnel, devidamente fechado para a nossa passagem. Estava correndo leve e tentando manter o meu pace próximo dos 5:30/Km. Isso eu só consegui manter até o 3o Km. Depois disso, com medo do que viria mais no final, já estava rodando próximo dos 5:40/Km.

Durante a corrida contei com o apoio e o incentivo de vários amigos que encontrava ao longo  do percurso. Enquanto corria em direção ao primeiro retorno no trevo da seta, o William e a Suzy da X3 me acompanharam de bicicleta em boa parte do trajeto. Como era início de prova ainda estava tudo tranquilo. O retorno se daria próximo dos 6 Km e o meu ritmo dentro do programado. A essa altura, o meu joelho começou a dar uma reclamada, mas eu sabia que não duraria muito e logo iria passar. Ainda bem que estava certo. Retornávamos então para a passarela do samba, no sentido da Beira mar norte, na altura da UFSC.

Estava conseguindo manter o meu pace em torno de 5:40/Km, passando ainda nesse ritmo pelo ponto da largada, completando aproximadamente 12 Km. O legal nessa passagem era que podíamos contar com o apoio do pessoal do grupo que não estava participando da corrida, mas estava torcendo e registrando tudo, inclusive os meus pais.

Passado esse trecho, viria a parte mais bonita da cidade, porém a mais extensa, a beira mar norte. Um longo trecho de belas paisagens estaria por vir. Apesar de estar bem, acabei reduzindo o ritmo com medo das bolhas que poderiam surgir nos pés, começando a rodar com o pace já próximo dos 6:00/Km. Apesar de solitário foi um trecho bem interessante da corrida, pois o público incentivava os atletas nas passagens e nos mantinha motivado.

Em quesito de hidratação a organização não poupou esforços. Tinha praticamente um posto a cada 3 Km entre água e gatorade. Era tanto que já não aguentava mais tomar tanto gatorade.

Enquanto seguia em direção ao outro retorno na UFSC, avistei a Sueli de bike e a Fabiana, acompanhando um outro atleta, dando aquela força. Já quase no retorno encontrei o Zé Carlos com a esposa. Isso é muito legal e é a vantagem de se correr em casa. 

Uma das metas intermediárias era passar pelos 21 Km com o tempo em torno de 2 horas, e este foi praticamente o tempo que fiz: 1h59min53s. Pensei até que poderia repetir a dose e terminar a maratona em menos de 4 horas. Mas a segunda metade da corrida é castigante. Não conseguia manter mais o ritmo. O pace a partir do 23o Km já era superior aos 6:20/Km e tendendo aos 7:00/Km. A essa altura eu já estava retornando da UFSC em direção novamente a passarela Nego Quirido.

Eu não podia arriscar não ter reservas para o final, pois já sentia o desgaste. Novamente a força dos amigos deu uma animada. O Dalto, passando de bike, me acompanhou por alguns momentos. O Luiz Felipe chegou também de bike e me acompanhou por mais um tempo. Estava bom, pois toda a beira mar estava interditada em uma das pistas. Isso permitia que corrêssemos tranquilos e o pessoal de apoio fosse de bicicleta. Nesse trecho de retorno fui sendo ultrapassado por vários atletas. Eu sentia que o meu ritmo tinha diminuído bastante, mas também ainda faltava muito e não era hora de acelerar. 

Entretanto, ainda tinha um medo que me assombrava. Eram as malditas bolhas nos pés. Sabia que se elas saíssem ia ser bastante complicado continuar. Sorte que como fui reduzindo o ritmo não sofri desse mal.

À medida que avançava o horário mais gente passeava pelas ruas, curtia e incentivava os participantes.  Fui chegando próximo da passarela Nego Quirido novamente para aí sim partir para a última parte da prova, que repetiria o mesmo trajeto do início da prova. Até essa distância (33 Km) eu já havia percorrido anteriormente, mas os últimos 9 Km seria uma diferença que ainda não havia experimentado.

Confesso que cheguei me arrastando, passando pela passarela do sambódromo. Já muito cansado e imaginando como seria dramático os quilômetros finais. Parecia algo tão distante ainda... e era. Cruzando a passarela tive um apoio que foi fundamental para a continuidade da prova: meus pais, a Laura, a Marta, o Sérgio e até o Egomar estavam ali para dar uns incentivos e ajudar no registro dessa passagem.

Além disso tive o prazer da companhia no quilômetro seguinte da Maria Teresa, Angélica, Roberta, e do Angelo Zenildo que me acompanhou a partir de então até o final. Foi o meu resgate terrestre, mesmo já tendo corrido os 10 Km. Achei muito legal os amigos “loucos por corridas” terem resgatado cada um dos “loucos por corridas” que se aventuraram na maratona, não deixando ninguém para trás.

Eu particularmente já estava esgotado e prestes a ceder e continuar a maratona andando, como uma boa parte dos atletas seguia. Mas com esse apoio renovei as minhas forças para seguir correndo. Agora já estava no mesmo trajeto do início, indo em direção ao retorno no trevo da seta. A minha perna esquerda, após o Km 32, começou a fisgar, ameaçando dar câimbra na batata de perna. Tive que me cuidar, reduzindo mais o ritmo, para que não acontecesse o pior. Eu sei que as minhas câimbras me deixariam totalmente sem condições de continuar, até mesmo caminhando.

Novamente o Luiz Felipe e um amigo se juntaram a nós (eu e o Angelo), e foi registrando os meus trechos mais difíceis e  cansativos nessa parte final. Passei pelo Chapolin (Sebastião) no túnel, eu indo e ele já voltando. A partir desse momento a sensação de que poderia terminar a maratona aumentava, em compensação o ritmo diminuía. Várias fisgadas na perna esquerda foram me assustando nos quilômetros que se seguiram. Sempre que tentava ir mais rápido ela aparecia. Não podia chegar tão longe e ser vencido por uma câimbra, seria muito frustrante.  

Os quilômetros pareciam que dobravam de distância e a cada um vencido, o outro parecia que ficava cada vez mais longe. Sorte a minha que estava bem acompanhado e o tempo passava um pouco mais rápido conversando. Senti que se não fosse a exaustão das pernas, poderia seguir em um ritmo mais forte. Mas dessa vez não quis arriscar.

Finalmente consegui atingir o último retorno no trevo da seta. A partir de agora seriam menos de 6 Km para o final. Tinha usado um pouco de sal e as ameaças de câimbras parece que foram reduzindo. Agora o vento já soprava a favor, mas mesmo assim já eram quase 4 horas de corrida sem parar. Como o Sebastião havia comentado anteriormente o cenário parecia de guerra nesse trecho. Atletas andando cabisbaixos, tortos, puxando as pernas, mancando, mas todos lutando para alcançar a linha de chegada.

Eu estava de olho mesmo era no túnel, pois passando por ele a chegada ficava a poucos metros. Mas não estava nem conseguindo avistá-lo. Cada Km passou a ser uma eternidade. Eu já tinha pensado em tudo que podia imaginar, pois tempo não faltou pra isso. Eis que chegou a placa de 40 Km e pude avistar finalmente o tão esperado túnel. Após uma pequena elevação estava entrando por ele, ainda totalmente exclusivo para os atletas. Sentia que o fim estava próximo e já podia ver a luz no fim do túnel, literalmente. Deu até para arriscar uma aceleradinha final para a chegada. Só faltava uma descida e o contorno para adentrar na passarela do samba e concluir os últimos 200m.

Que sensação maravilhosa vai tomando conta da gente nesse momento. Foi um desfile de alívio, de satisfação, superação, conquista, de dever cumprido. Um objetivo que parecia impossível de ser alcançado a 3 anos atrás, com cerca de 20 Kg a mais, hipertensão, colesterol alto, profundo sedentarismo, e um diagnóstico do cardiologista de um coração envelhecido. Inicialmente eu não conseguia correr 100m de distância. Graças a corrida tudo isso foi riscado da minha vida e consegui ainda completar a rainha das corridas: a maratona.

Gostaria de registrar o meu agradecimento a todos que de alguma forma me apoiaram e torceram para que eu atingisse esse meu objetivo, pois nem imagino como seria difícil percorrer essa distância sozinho.

Não preciso dizer que cheguei extremamente cansado, não conseguindo nem parar pra retirar o chip. Aliás acho que essa é a parte mais cruel da corrida. Tirar o chip depois de percorrer os 42 Km. Comi umas bananas, tomei mais um pouco de gatorade, e ainda ganhamos uma toalha de banho bem legal pra gente se secar e se cobrir.

Fiquei mais um pouco para ver a emocionante chegada do Nilton com boa parte do grupo chegando junto. Depois disso tive que ir, pois estava muito cansado e os meus pais deviam estar mais ainda por terem me esperado por tanto tempo.
Agora, qual será o próximo desafio ???


Vanderlei Cordeiro de Lima - Padrinho da Maratona Caixa de SC

Até o Chapolin apareceu para a Maratona
Meus pais também vieram para me dar força
Percurso plano e com vista panorâmica
Quem disse que eu nunca passaria pela passarela do samba
A tropa de elite para me resgatar nos 10 Km finais - Valeu galera !!!
Luiz Felipe (bike) e o Angelo (correndo ao lado) me dando aquele incentivo final
Agora é só partir para o abraço. Eu consegui !!!

Local: Passarela Nego Quirido - Florianópolis/SC
Horário: 7:45 Hs
Distância: 42,195 Km  

Inscrição: R$ 75,60
Kit: Camiseta, squeeze, boné, meia e número do peito 

Tempo: 4h27min39s
Pace: 6:21 min/Km


Colocação: 32 de 40 (categoria 40-44 anos)
Colocação: 224 de 268 (masculino)
Colocação: 250 de 310 (geral)

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